segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A Negação da Poesia

onde está o meu copo de marasmo?

notificação do poeta
sobre o maravilhoso
sol de baunilha.
ego é uma pulseira bem presa ao pulso,
vida são as cores dos cabelos
das putas do Oriente.

o caminho das formigas é denso
adentra as entranhas e vísceras
o eterno zum-zum-zum,
o grande e inefável fluxo
dos poderosos átomos de carbono.

minha mente
metamorforseada em
palavras e tédio.
a eternidade
é o segundo ante a explosão.
os arranha-céus são muitos
nas cidades das falsas luzes
mas não podem voar.

hollywood fede.
os carros fedem.
meu pé fede.
teu pensamento fede.
as mansões subterrâneas
das idéias de gênios bêbedos fede.

(a noite de porre de Hitler.)

o silêncio reina absoluto por sobre a Torre de Babel;
feita do papelão das moradias de mendigos da grande São Paulo,
dos papiros chamuscados de Alexandria,
das pedras e lágrimas da Grande Muralha do Oriente,
das ânforas de vinho das fenomenais bacanais romanas,
das lâmpadas quebradas da Grande Revolução Industrial
que ainda nos mastiga com seus grandes dentes de ferro.

a luz fria das salas de aula.
a sombrancelha franzida do busto de Marx.
o cocô das pombas por sobre as catedrais.

Jim Morrison visitou-me noite passada
bebemos vinho barato e nostalgia.
contou-me feitos gloriosos,
me fez ouvir os dolorosos gritos das mães
(e por que não dos cachorros?)
e de crianças esfaqueadas
na conquista de impérios.
me fez acreditar que a guerra é justa.

grandes navios
munidos de velas e remos
cruzando mares e névoas
trazendo o grito alucinado da chama inextinguível,
a ônix engastada de mente defasadas,
trazendo o nome que se dá ao homem
à terra dita Novo Mundo.

seu eco ainda se faz ouvir nas profundezas
dos rios cobertos de cipó e teias de aranha.

(a lagartixa saiu em disparada
desprendendo-se de seu rabo
que ainda se debateu por instantes,
deixando o resto de suas forças,
que se dissiparam no grande Tudo e Nada,
na transparência do invisível,
para se reintegrar em meu cérebro humano
e incrustado de conceitos mal-resolvidos.)

querem me fazer acreditar que a estética é tudo.
que a interface cibernética dominará o mundo
e ainda salvará a raça humana.
e esses cogumelos azuis continuam crescendo
perto das raízes das árvores do Grande Bosque.

se os adjetivos se extingüissem
o homem não passaria de um cadáver adiado.
(ainda bem que posso viver
da citação de grandes poetas).

o marsúpio da civilização
das tribos de selvas profundas
dos surdos mudos que não se curvam ao tempo
e de tudo que existe sob o véu do entendimento humano
é uma caixa de sapatos
sem marca de fabricação.

a cor do céu dos campos do Sul ao entardecer,
eu a vejo só nos sonhos mais profundos.
o legado de minhas pegadas
é a prova de minha existência na interrupção das coisas,
nada mais, nada menos.

o senso comum é auto-destrutivo.
a rede em que descansamos
balança como o berço
de outrora.

Um comentário:

Anônimo disse...

poema denso... que realmente parece uma caixa preta aberta: a sua cabeça !
gostei.. mas eu precisaria reler umas 100 vezes para entender, se é q isso é possível.
beijos LÍVIDA